Medalhas em Paris macetam expressões capacitistas

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A imagem mostra um grupo de atletas brasileiros participando de um desfile, na serimônia de abertura dos jogos paralímpicos de Paris. Eles estão vestindo uniformes azuis com detalhes em amarelo e verde. Muitos dos atletas estão usando chapéus amarelos e alguns estão em cadeiras de rodas. Um dos atletas está segurando a bandeira do Brasil, e outros estão segurando pequenas bandeiras do país. Ao fundo, há várias pessoas vestidas com uniformes verdes.
Delegação brasileira na abertura dos Jogos Paralímpicos de Paris, evento esportivo que destaca o potencial das pessoas com deficiência \ Foto: Alessandra Cabral/CPB @alecabral_ale

Dizem que a boca fala do que o coração está cheio. Seja por pura maldade ou por falta de informação, muita gente segue repetindo expressões tão antigas quanto infundadas. Nós, do Blog Inspiração Paralímpica, preparamos uma lista com expressões capacitistas para você nunca mais repetir bobagem e te lembrar que os resultados dos atletas brasileiros em Paris macetaram a cultura do preconceito.

“Fulano está dando uma de João sem braço”: essa expressão trata a pessoa com deficiência como alguém “café com leite” no mundo do trabalho, como se ela não pudesse exercer tarefas complexas ou se comprometer 100% com a rotina da organização. Uma coisa é falta de vontade de trabalhar, outra é a deficiência e elas não têm nada a ver uma com a outra.

“Beltrana é imbecil”: Imbecil, mongol, retardado, demente. Todas essas palavras foram usadas ao longo da história do Brasil para tratar de maneira pejorativa pessoas com deficiência. Tanto é que se tornaram uma forma ofensiva de tratar também pessoas sem deficiência. Não use essa expressão e suas variações se você se julga uma pessoa educada.

“Ciclano deu uma mancada”: isso quer dizer que alguém que andava “direito” fez alguma coisa errada. Já pensou como se sente alguém que, por exemplo, apresenta assimetria na marcha por ter uma perna maior que a outra ou que está se recuperando de um acidente? Quer dizer que todo mundo que manca está dando passos errados pela vida? Se pensar direitinho, você nunca mais fala desse jeito.

“Mais perdido do que cego em tiroteio”: para começar, quem não se sente perdido no meio de um tiroteio? Via de regra, em situações violentas, nem as partes envolvidas na agressão sabem exatamente de onde vem os tiros do lado oposto. Ninguém deveria estar no meio de um tiroteio. Se isso acontece, a sociedade como um todo está perdida. Não tem graça. E raciocine com a gente: as pessoas com deficiência visual prestam mais atenção na sua audição e a usam com muito mais destreza para se localizar nos espaços; tiro, antes de atingir o alvo, não se enxerga, se escuta; quem mesmo tem mais chance de se perder no meio de um tiroteio?

“Fulana se faz de cega/surda”: quem, em sã consciência, fingiria ter uma deficiência numa sociedade preconceituosa como a nossa? Se alguém finge que não te vê ou não te escuta, não envolva deficiência nisso. Expressões como “fulana me ignorou”, “fulana não quis interagir comigo” ou “eu devo ser inconveniente” são mais adequadas nestes casos. Pessoas cegas e surdas trabalham, conquistam sucesso e têm traquejo social, zero conexão com alguém que quer ignorar outra pessoa.

E você? Qual expressão capacitista te irrita muito e merecia estar nesta lista? Conta para a gente nos comentários e, quem sabe, não fazemos a parte 2?

Raissa Rocha conta como se tornou influente nas redes sociais

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Ela iniciou nas redes sociais para levar visibilidade ao buy dianabol online usa atletismo e hoje, aos 25 anos, é uma das atletas paralímpicas com maior influência na web, com mais de 149 mil seguidores no Instagram e 45 mil no TikTok. Raissa Rocha Machado, atleta de lançamento de dardo, medalha de prata nos Jogos de Tóquio 2020, sabe bem as responsabilidades e vantagens de influenciar pessoas na internet.

“Utilizar a rede social é importante não só por ter aberto portas, mas também por permitir que eu me mostre de verdade. Sou nas postagens quem eu sou na vida real, e isso é o mais bacana. É uma grande oportunidade para acessar pessoas e permitir que elas também me acessem”.

Raissa, de fato, mostra toda a sua versatilidade nas redes sociais. Além da rotina de treinos, a atleta e influenciadora produz conteúdos voltados para a autoestima, com dicas de beleza e tutoriais de maquiagem.

“Quanto mais ativo você for nas redes sociais, mais chances tem de chamar a atenção, e isso também traz a oportunidade de patrocínios esportivos e de outras áreas. É a minha ferramenta de aproximação com os fãs, com os meus ídolos, e a possibilidade de uma troca muito grande. Influencio e sou influenciada, sempre focando em conteúdos que me agregam”.

A história de Raissa Rocha

A jovem, baiana da cidade de Ibipeba, tem uma má-formação congênita, e chegou a pensar que, por estar em uma cadeira de rodas, nunca seria capaz de realizar alguns sonhos. Foi com a rede social que ela pôde exercitar a autoaceitação e também enxergar um mundo com diversas possibilidades:

“Já liguei muito para a opinião dos outros e não era feliz. Ao praticar a autoaceitação diária consegui realizar sonhos, entre eles o de ser modelo. As redes sociais me ajudaram muito nisso. Fui modelo de passarela, desfilei para algumas marcas, e fui chamada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) para ser a atleta modelo dos uniformes. Fotografei com os uniformes de Lima, em 2019, e em 2021, com os uniformes dos Jogos de Tóquio. Foi uma experiência incrível”.

Raissa deseja que, assim como ela, outras pessoas a vejam como capaz de realizar todos os sonhos. A atleta, hoje, sabe que sua cadeira de rodas é apenas um detalhe:

“Superação todo mundo tem. O capacitismo vai acabar na TV, rede social e na vida, quando pararmos de enxergar o deficiente como um coitado. Todos têm algo a superar diariamente, não só nós. É preciso que entendam que a minha cadeira de rodas é apenas algo que me diferencia de outra pessoa, não um limitador”.

Novos fãs e a comemoração pela medalha

Ao conquistar a tão sonhada medalha nos Jogos de Tóquio 2020, Raissa relembra o carinho que recebeu através da web. Ela define a torcida brasileira como “babado” e conta ter se emocionado com cada postagem de seus novos fãs:

“Nunca recebi tanto carinho na minha vida. Fiz questão de ver cada postagem feita em minha homenagem. O brasileiro torce mesmo, e senti essa energia lá dos Jogos Paralímpicos. Pode ter certeza que me ajudou, essa vibração fez com que eu confiasse mais em mim e pudesse trazer a medalha. Por 12 cm não foi a de ouro, mas Deus sabe o que faz. Vou seguir treinando, me dedicando, e quem sabe na próxima subir ao lugar mais alto do pódio.”

Além da conquista paralímpica, Raissa confidencia um outro motivo de comemoração, vindo justamente através das redes sociais. Uma de suas inspirações na web, a nordestina Juliette, vencedora do “BBB 21” (TV Globo), começou a seguir a atleta no Instagram durante os Jogos.

Foi algo que o poder da internet a proporcionou

“Acordei com as pessoas me avisando que Juliette estava me seguindo. Chorei tanto. Essa mulher me notou. Sou tão fã que não acreditava. Passei também a receber o carinho dos fãs dela. Sei valorizar cada vitória que as redes sociais me trazem e carrego com muito carinho a responsabilidade de ser uma das paratletas mais influentes na web. Represento não só a minha modalidade, o atletismo, mas também a verdade de uma mulher que corre atrás dos seus sonhos. Se você quer ser influente nas redes sociais, mostre também a sua verdade.”