Patrícia Moraes
11 de Setembro de 2024

Dizem que a boca fala do que o coração está cheio. Seja por pura maldade ou por falta de informação, muita gente segue repetindo expressões tão antigas quanto infundadas. Nós, do Blog Inspiração Paralímpica, preparamos uma lista com expressões capacitistas para você nunca mais repetir bobagem e te lembrar que os resultados dos atletas brasileiros em Paris macetaram a cultura do preconceito.
“Fulano está dando uma de João sem braço”: essa expressão trata a pessoa com deficiência como alguém “café com leite” no mundo do trabalho, como se ela não pudesse exercer tarefas complexas ou se comprometer 100% com a rotina da organização. Uma coisa é falta de vontade de trabalhar, outra é a deficiência e elas não têm nada a ver uma com a outra.
“Beltrana é imbecil”: Imbecil, mongol, retardado, demente. Todas essas palavras foram usadas ao longo da história do Brasil para tratar de maneira pejorativa pessoas com deficiência. Tanto é que se tornaram uma forma ofensiva de tratar também pessoas sem deficiência. Não use essa expressão e suas variações se você se julga uma pessoa educada.
“Ciclano deu uma mancada”: isso quer dizer que alguém que andava “direito” fez alguma coisa errada. Já pensou como se sente alguém que, por exemplo, apresenta assimetria na marcha por ter uma perna maior que a outra ou que está se recuperando de um acidente? Quer dizer que todo mundo que manca está dando passos errados pela vida? Se pensar direitinho, você nunca mais fala desse jeito.
“Mais perdido do que cego em tiroteio”: para começar, quem não se sente perdido no meio de um tiroteio? Via de regra, em situações violentas, nem as partes envolvidas na agressão sabem exatamente de onde vem os tiros do lado oposto. Ninguém deveria estar no meio de um tiroteio. Se isso acontece, a sociedade como um todo está perdida. Não tem graça. E raciocine com a gente: as pessoas com deficiência visual prestam mais atenção na sua audição e a usam com muito mais destreza para se localizar nos espaços; tiro, antes de atingir o alvo, não se enxerga, se escuta; quem mesmo tem mais chance de se perder no meio de um tiroteio?
“Fulana se faz de cega/surda”: quem, em sã consciência, fingiria ter uma deficiência numa sociedade preconceituosa como a nossa? Se alguém finge que não te vê ou não te escuta, não envolva deficiência nisso. Expressões como “fulana me ignorou”, “fulana não quis interagir comigo” ou “eu devo ser inconveniente” são mais adequadas nestes casos. Pessoas cegas e surdas trabalham, conquistam sucesso e têm traquejo social, zero conexão com alguém que quer ignorar outra pessoa.
E você? Qual expressão capacitista te irrita muito e merecia estar nesta lista? Conta para a gente nos comentários e, quem sabe, não fazemos a parte 2?