ONG transforma trilhas e esportes de aventura em experiências acessíveis

O trabalho realizado pela ONG Inclusão Radical combina atividades ao ar livre e experiências como trilhas e rapel adaptado para pessoas com deficiência. O projeto mostra que atividades consideradas “radicais” podem ser acessíveis a todos.

“Quando a gente decide fazer uma trilha de montanha, por exemplo, escolhe a montanha, faz o orçamento, chama o voluntariado, sempre com a participação de pessoas com deficiência, define o rateio dos custos com camping e transporte e, aí, monta o evento”, contou Rodrigo Lopes dos Santos, conhecido como Digo, um dos diretores da ONG. O rateio é feito entre os integrantes do projeto, eventualmente com ajuda de parceiros.

A proposta parte do princípio de criar experiências significativas em que a pessoa com deficiência se sinta protagonista em contextos que historicamente foram excludentes. Em suas redes sociais, o projeto destaca que “todos merecem ir!”. São atendidas no projeto pessoas com deficiências física, sensorial e intelectual.

“Tudo isso passa muito pelo esporte, pela superação e pelo autoconhecimento. A trilha e a montanha fazem a gente meditar muito. É dar essa experiência de contemplação, de deslumbramento, que antes parecia para poucos. Esse sentimento está presente em todas as atividades: na trilha, na corrida, no rapel, em tudo”, disse Digo.

A proposta nasceu de um grupo de amigos. Em 2020, a Inclusão Radical virou ONG de forma oficial, mais estruturada, passando a realizar eventos maiores. Digo é instrutor de rapel, uma atividade vertical praticada com uso de cordas e equipamentos adequados para a descida de paredões e vãos livres. Ele auxiliava algumas agências que trabalham com pessoas com deficiência, quando conheceu a Inclusão Radical, em um evento realizado na Ponte do Sumaré, em São Paulo.

“Hoje, o rapel acontece principalmente em pedreiras, em Mairiporã, no interior de São Paulo, que é relativamente perto e de fácil acesso. Lá há paredes ótimas, muitas vias, o que agiliza e permite atender mais gente”, contou.

As trilhas de montanha foram o início do projeto. Um grupo de amigos levou um cadeirante ao Pico do Lopo, no interior de Minas Gerais. Na primeira tentativa, a cadeira quebrou, e eles tiveram que carregar a pessoa no braço. Uma trilha de pouco mais de uma hora levou mais de quatro horas.

“Também realizamos trilhas menores, em parques estaduais, porque parte do público não pode se ausentar por muito tempo. Para pessoas com autismo, por exemplo, atividades mais curtas funcionam melhor: meia hora, uma hora de ida e volta. E estamos agora participando de corridas de rua. Estivemos presentes, por exemplo, na edição da São Silvestre, em São Paulo, no fim de 2025”, contou.

E como participar das atividades da ONG Inclusão Radical?

“A divulgação acontece muito pelo Instagram. Temos também um grupo no WhatsApp e parcerias com outras ONGs. A gente chega por meio dessas parcerias, das redes sociais e muito pelo boca a boca”, disse Digo. Para acessar o Instagram do projeto,

Três homens praticando rapel em uma rocha alta, com um lago verde ao fundo. Todos usam equipamentos de segurança, incluindo capacetes azul e amarelo, cintos e cordas presas. O homem do centro, de capacete amarelo, veste uma camisa listrada preta e branca, está sorrindo e faz sinal de positivo com as duas mãos. Os outros dois também estão sorrindo. Mais abaixo, é possível ver uma trilha, algumas pessoas caminhando e vegetação ao redor do lago. É um local de aventura ao ar livre, com paredão de pedra e clima de muito sol.
Participantes do projeto Inclusão Radical durante descida de rapel | Foto: Divulgação

. O contato pelo WhatsApp pode ser feito pelo número 11 97602-9716.

E você, já praticou algum esporte radical? Tem vontade? Deixe o comentário e nos conte sua experiência.