Patrícia Moraes
4 de Dezembro de 2025

No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, o país reencontra histórias que atravessam estradas de terra, açudes usados como piscina de treino, quadras escolares e pistas de alta performance. São trajetórias que revelam como o paradesporto se tornou, ao longo dos anos, um território de encontros e recomeços. Nas ações conduzidas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e nos programas públicos, como o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Novo Viver sem Limite, o esporte surge como movimento para que crianças, jovens e adultos com deficiência ocupem espaços onde antes havia distância ou ausência de oportunidades.
A expansão do paradesporto no Brasil se estrutura a partir de práticas que se multiplicam em escolas, centros de treinamento, projetos comunitários e ações públicas. Em 2025, o CPB organizou a fase nacional das Paralimpíadas Escolares com 2.056 atletas representantes das 27 unidades federativas, realizada no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.
Entre os jovens presentes, muitos encontraram no esporte um novo espaço de pertencimento. O atleta de bocha Gabriel Fontes destacou que a prática passou a representar uma mudança importante em sua rotina. “Depois que eu conheci o esporte, minha vida fez mais sentido, porque passei a viver o esporte”, afirmou.
O Educação Paralímpica, também desenvolvido pelo CPB, se consolidou como um dos principais programas de formação no paradesporto escolar do país. A iniciativa oferece cursos de iniciação, capacitação e habilitação técnica para profissionais de educação física, orientando escolas e instituições sociais a incluir modalidades paralímpicas em suas rotinas. Neste ano, o programa alcançou cerca de 2.400 municípios, ampliando a oferta de práticas esportivas adaptadas e fortalecendo o acesso de estudantes com deficiência ao esporte.
Além das ações voltadas à formação nas escolas, o calendário nacional paradesportivo integra competições que reafirmam o esporte como política pública e como instrumento de garantia de direitos. Em 2025, o Campeonato Brasileiro Loterias Caixa de Atletismo, realizado no CT Paralímpico em São Paulo, mobilizou atletas de diferentes regiões do país em provas de pista e campo, fortalecendo o desenvolvimento do paradesporto em âmbito nacional.
No contexto do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, José Antônio Freire, lembra que o paradesporto tem papel decisivo na promoção de direitos e na ampliação das condições de participação social. “Nos últimos anos, o esporte paralímpico brasileiro demonstrou sua força ao ampliar oportunidades e transformar trajetórias. Nosso compromisso é fortalecer esse movimento, garantindo que atletas tenham acesso a condições adequadas de desenvolvimento e que cada projeto reflita o direito das pessoas com deficiência à participação plena no esporte”, pontua.
Política pública em movimento
Lançado em 2023, o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Novo Viver sem Limite reúne 95 iniciativas distribuídas em quatro eixos de atuação que abrangem participação social, enfrentamento ao capacitismo, acessibilidade e garantias sociais. O plano articula ações de diferentes pastas e organiza políticas públicas voltadas para educação, trabalho, saúde, tecnologia assistiva, esporte e acessibilidade.
No campo do esporte, o plano reúne iniciativas voltadas para ampliar o acesso ao paradesporto e estruturar redes locais de formação e iniciação esportiva. O Semear + Paradesporto conta com três núcleos em funcionamento, sendo um no Rio de Janeiro e dois em municípios de São Paulo. O TEAtivo possui onze núcleos ativos implantados em capitais do Nordeste, em Imperatriz (MA) e em Caxias (MA). O Paradesporto Brasil em Rede reúne dez núcleos em atividade, além de um núcleo gestor responsável pela coordenação técnica do programa. A rede nacional de Centros de Referência Paralímpicos soma hoje setenta e duas unidades em operação no país.
Ao comentar o andamento dessas iniciativas, o secretário nacional de paradesporto, Fábio Augusto Lima de Araújo, destaca o avanço das ações e a missão do plano na organização das redes locais. “Já conseguimos avançar significativamente na implantação do TEAtivo e na criação de núcleos do Semear + Paradesporto. Estamos trabalhando para ir além do que foi originalmente previsto no plano, ampliando o alcance e o impacto dessas iniciativas nos territórios. Todas as ações, portanto, fazem parte de uma estratégia nacional de fortalecimento do paradesporto, com foco na inclusão, na formação de redes locais e na oferta de oportunidades esportivas adaptadas às realidades de cada região”, explica.
Alcance do paradesporto
As trajetórias apresentadas pelos atletas que participam das ações do Comitê Paralímpico Brasileiro e das iniciativas públicas mostram como o esporte passa a fazer parte da rotina de crianças e jovens com deficiência, seja nas escolas, nos centros de treinamento ou nos espaços improvisados do dia a dia. A nadadora Iandra Reis, que divide os treinos entre a zona rural de Rio Branco e um açude construído pela família, descreve a mudança que viveu por conta do esporte. “Minha vida deu um giro de 180 graus. Eu não tinha vontade nem de estudar. Me convenceram a voltar à escola, a começar a nadar, e eu me apaixonei. É como um recomeço”, comentou.
Outras pessoas com deficiência também relatam como o esporte se tornou parte importante de suas vivências. Para o atleta Anderson Pinheiro, do badminton, a participação nas Paralimpíadas Escolares ampliou vínculos e experiências. “Eu gosto muito da modalidade, principalmente de cortar a peteca. Nas competições, fiz novas amizades e os jogos foram bem competitivos.” Já para Willian Espinola Dionísio, a bocha abriu novas possibilidades de convivência. “Antes, eu não saía muito do meu quarto. Depois que conheci a modalidade, ficou mais fácil fazer amizades”, finaliza.
E para você, qual o papel do esporte na inclusão das pessoas com deficiência? Deixe seu comentário.