Thaysa Cintra
21 de Janeiro de 2022
O sorriso no rosto do mesa-tenista Guilherme Costa, 29 anos, ao conquistar a medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, por equipes (classe 1-2), é transmitido diariamente nas redes sociais. O atleta de Brasília faz parte dos influenciadores digitais que escolheram o caminho do humor para espalhar a inclusão.
O dom da comunicação sempre esteve presente na vida de Guilherme, mas após ser atropelado aos 14 anos e ter ficado tetraplégico, ele diz ter “se tornado um comunicador”. O jovem fez questão de mostrar que seu prazer pela vida seguia ainda mais forte. Atualmente, além do canal “Vai Curupira“, no Youtube, tem quase 50 mil seguidores no Instagram.
“Me tornei naturalmente um comunicador pós-acidente, já que dentro do universo da lesão medular sou conhecido e tenho voz. Minha presença nas redes sociais começou lá no Orkut, em 2006, quando criaram uma comunidade para passar os boletins do hospital após o meu acidente. Depois veio o Facebook, e atualmente utilizo bastante Instagram, Youtube e Tiktok”.
Guilherme acredita que criar conteúdos divertidos aproxima as pessoas:
“A minha maneira de humor e de brincar quebra um pouco o distanciamento da pessoa com deficiência. É normal que me olhem e falem: ‘Olha, queria saber o que aconteceu contigo’. E fiquem preocupados em falar comigo.”
“Quando eu chego com humor e já explico, quebro isso. A vida é muito curta para ficarmos ‘cheio de dedos’ uns com os outros. O humor é uma porta de entrada para falar de inclusão de forma leve e quebrando qualquer barreira.”
O mesa-tenista acredita ainda que o humor também pode ser uma oportunidade de educar com leveza:
“O humor é extremamente necessário. A gente vê tanta coisa cabulosa por aí. Valorizamos situações negativas. Por isso faço tanta questão de só mostrar coisas bacanas nas minhas redes. Humor é uma grande porta de entrada para a informação e educação. Meu público me escuta por meio das postagens.”

Destaque da natação paralímpica no Brasil, Roberto Alcalde Rodriguez – campeão mundial nos 100m peito SB6 em 2013, e ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019 na mesma prova – também é adepto do humor para se comunicar nas redes sociais.
Com diversas postagens divertidas, o esportista mostra sua rotina de treinos e fala de sua trajetória. Aos 29 anos, Roberto, que nasceu em Bagé, Rio Grande do Sul, vive atualmente em São Paulo.
“Quando me tornei atleta profissional resolvi criar um perfil no Instagram e Facebook para compartilhar um pouco dos meus resultados e, quem sabe, ajudar a conseguir patrocínios”, explica Roberto, que ressalta:“A visibilidade das redes sociais ajuda de várias formas e a aproximação com os fãs é a melhor parte, principalmente para quebrar barreiras que algumas pessoas possuem sobre o atleta paralímpico”.
Roberto tinha medo de colocar humor nas redes e parecer ‘menos sério’ e com isso perder oportunidades de patrocínio no esporte. O atleta, que participou dos Jogos Rio 2016 e Tóquio 2020, percebeu que o caminho poderia ser mais leve quando recebeu mensagens positivas após publicar algumas brincadeiras nos stories.

Para Roberto, que nasceu com mielomeningocele, uma má-formação congênita da coluna vertebral, a melhor forma de falar de inclusão é utilizando o humor:
“O humor baixa a guarda das pessoas e com isso elas aprendem e entendem que a nossa vida não é uma tragédia, muito pelo contrário. Penso que o humor é a forma mais eficiente de conscientizar as pessoas sobre algum assunto. Temos que tirar a pessoa da defensiva e abrir a cabeça dela para aprender”.