Não categorizado Archives - Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) https://inspiracaostage.sages4it.com/category/nao-categorizado/ Informações e orientações para Pessoas com Deficiência (PCDs) e histórias inspiradoras de atletas paralímpicos. Fri, 23 Jan 2026 18:01:41 +0000 pt-PT hourly 1 https://inspiracaostage.sages4it.com/wp-content/uploads/2022/01/favicon.png Não categorizado Archives - Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) https://inspiracaostage.sages4it.com/category/nao-categorizado/ 32 32 ONG transforma trilhas e esportes de aventura em experiências acessíveis https://inspiracaostage.sages4it.com/ong-transforma-trilhas-e-esportes-de-aventura-em-experiencias-acessiveis/ https://inspiracaostage.sages4it.com/ong-transforma-trilhas-e-esportes-de-aventura-em-experiencias-acessiveis/#respond Fri, 16 Jan 2026 18:42:36 +0000 https://inspiracaoparalimpica.org.br/?p=8942 O trabalho realizado pela ONG Inclusão Radical combina atividades ao ar livre e experiências como trilhas e rapel adaptado para pessoas com deficiência. O projeto mostra que atividades consideradas “radicais” podem ser acessíveis a todos. “Quando a gente decide fazer uma trilha de montanha, por exemplo, escolhe a montanha, faz o orçamento, chama o voluntariado, sempre com a […]

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O trabalho realizado pela ONG Inclusão Radical combina atividades ao ar livre e experiências como trilhas e rapel adaptado para pessoas com deficiência. O projeto mostra que atividades consideradas “radicais” podem ser acessíveis a todos.

“Quando a gente decide fazer uma trilha de montanha, por exemplo, escolhe a montanha, faz o orçamento, chama o voluntariado, sempre com a participação de pessoas com deficiência, define o rateio dos custos com camping e transporte e, aí, monta o evento”, contou Rodrigo Lopes dos Santos, conhecido como Digo, um dos diretores da ONG. O rateio é feito entre os integrantes do projeto, eventualmente com ajuda de parceiros.

A proposta parte do princípio de criar experiências significativas em que a pessoa com deficiência se sinta protagonista em contextos que historicamente foram excludentes. Em suas redes sociais, o projeto destaca que “todos merecem ir!”. São atendidas no projeto pessoas com deficiências física, sensorial e intelectual.

“Tudo isso passa muito pelo esporte, pela superação e pelo autoconhecimento. A trilha e a montanha fazem a gente meditar muito. É dar essa experiência de contemplação, de deslumbramento, que antes parecia para poucos. Esse sentimento está presente em todas as atividades: na trilha, na corrida, no rapel, em tudo”, disse Digo.

A proposta nasceu de um grupo de amigos. Em 2020, a Inclusão Radical virou ONG de forma oficial, mais estruturada, passando a realizar eventos maiores. Digo é instrutor de rapel, uma atividade vertical praticada com uso de cordas e equipamentos adequados para a descida de paredões e vãos livres. Ele auxiliava algumas agências que trabalham com pessoas com deficiência, quando conheceu a Inclusão Radical, em um evento realizado na Ponte do Sumaré, em São Paulo.

“Hoje, o rapel acontece principalmente em pedreiras, em Mairiporã, no interior de São Paulo, que é relativamente perto e de fácil acesso. Lá há paredes ótimas, muitas vias, o que agiliza e permite atender mais gente”, contou.

As trilhas de montanha foram o início do projeto. Um grupo de amigos levou um cadeirante ao Pico do Lopo, no interior de Minas Gerais. Na primeira tentativa, a cadeira quebrou, e eles tiveram que carregar a pessoa no braço. Uma trilha de pouco mais de uma hora levou mais de quatro horas.

“Também realizamos trilhas menores, em parques estaduais, porque parte do público não pode se ausentar por muito tempo. Para pessoas com autismo, por exemplo, atividades mais curtas funcionam melhor: meia hora, uma hora de ida e volta. E estamos agora participando de corridas de rua. Estivemos presentes, por exemplo, na edição da São Silvestre, em São Paulo, no fim de 2025”, contou.

E como participar das atividades da ONG Inclusão Radical?

“A divulgação acontece muito pelo Instagram. Temos também um grupo no WhatsApp e parcerias com outras ONGs. A gente chega por meio dessas parcerias, das redes sociais e muito pelo boca a boca”, disse Digo. Para acessar o Instagram do projeto,

Três homens praticando rapel em uma rocha alta, com um lago verde ao fundo. Todos usam equipamentos de segurança, incluindo capacetes azul e amarelo, cintos e cordas presas. O homem do centro, de capacete amarelo, veste uma camisa listrada preta e branca, está sorrindo e faz sinal de positivo com as duas mãos. Os outros dois também estão sorrindo. Mais abaixo, é possível ver uma trilha, algumas pessoas caminhando e vegetação ao redor do lago. É um local de aventura ao ar livre, com paredão de pedra e clima de muito sol.
Participantes do projeto Inclusão Radical durante descida de rapel | Foto: Divulgação

. O contato pelo WhatsApp pode ser feito pelo número 11 97602-9716.

E você, já praticou algum esporte radical? Tem vontade? Deixe o comentário e nos conte sua experiência.

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Oficinas de fotografia para pessoas com deficiência visual desafiam o senso comum https://inspiracaostage.sages4it.com/oficinas-de-fotografia-para-pessoas-com-deficiencia-visual-desafiam-o-senso-comum/ https://inspiracaostage.sages4it.com/oficinas-de-fotografia-para-pessoas-com-deficiencia-visual-desafiam-o-senso-comum/#respond Fri, 01 Aug 2025 11:00:32 +0000 https://inspiracaoparalimpica.org.br/?p=8268 Algumas pessoas podem duvidar da viabilidade de aulas de fotografia para pessoas com deficiência visual. Entretanto, os projetos Vivências Inclusivas, do Distrito Federal, e Escola de Fotógrafos Cegos, do Espírito Santo, estão aqui para romper com a ideia de que fotografia não é uma linguagem a ser experimentada por pessoas cegas ou com baixa visão. […]

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Foto borrada de uma pessoa em um ambiente escuro, com luzes fortes e coloridas ao redor. A pessoa está iluminada por uma luz amarela ou alaranjada, que destaca seu rosto e parte do corpo, mas o movimento e o desfoque tornam difícil identificar detalhes. O fundo é predominantemente escuro, com algumas luzes verdes e vermelhas desfocadas no canto superior esquerdo. A imagem transmite uma sensação de movimento ou de ambiente noturno.
Instante capturado entre luzes e sombras \ Foto: Tânia Maria Neves

Algumas pessoas podem duvidar da viabilidade de aulas de fotografia para pessoas com deficiência visual. Entretanto, os projetos Vivências Inclusivas, do Distrito Federal, e Escola de Fotógrafos Cegos, do Espírito Santo, estão aqui para romper com a ideia de que fotografia não é uma linguagem a ser experimentada por pessoas cegas ou com baixa visão.

Em Vila Velha, uma parceria entre a Associação Sociedade Cultura e Arte (Soca Brasil) e o coletivo Poéticas da Cena Contemporânea já realizou duas edições do projeto Escola de Fotógrafos Cegos, em 2023 e 2024. Neste ano, a parceria promove a oficina fotográfica “Um outro olhar”, para mulheres com deficiência visual. No próximo dia 31, durante o encerramento da oficina, haverá uma exposição com as fotografias produzidas na atividade.

Rejane Arruda, idealizadora e diretora artística do projeto, explica que a mesma metodologia da Escola foi usada nesta oficina. “Partimos de algumas premissas; uma delas é que o olhar é uma construção, ele não é dado pelo olho biológico. Além disso, a fotografia que a gente produz tem estatuto de poética, sendo assim é lacunar, ela esconde ao invés de dar a ver.”

Rejane conta que usa a linguagem como principal ferramenta de trabalho. “Dá pra se transmitir qualquer coisa pela linguagem; todos os conceitos, as imagens e os ambientes são descritos.”

Mas não só. Rejane conta que usa também o tato em suas aulas. “Usamos algumas ferramentas táteis no início, para explicar enquadramento, zoom, desfoque.” Ela conta que em certas práticas descreve o ambiente e o desenha com o dedo nas costas da pessoa que está com a câmera. “É um procedimento que une a linguagem verbal com o toque.”

Outra estratégia que ela usa quando o assunto é enquadramento, é orientar os alunos que se encostem em um batente de janela, de porta, de uma pilastra e utilizem a borda deste objeto em primeiro plano como um duplo enquadramento. “Assim, além do enquadramento fotográfico, eles criam uma borda com esse objeto onde eles se encostam. Isso cria profundidade, desfoque, poética.”

Já pelo Distrito Federal, o projeto Vivências Inclusivas realiza oficinas e saídas fotográficas com foco na inclusão de pessoas com deficiência por meio da linguagem visual. O resultado da terceira edição do projeto será exibido na exposição “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, de 5 de agosto a 7 de setembro, no Museu da República, em Brasília.

Idealizado por Juliana Peres, ativista que tem deficiência intelectual, o projeto foi criado “com o objetivo de ensinar fotografia para a pessoa com deficiência, de uma forma que ela saísse um pouco da sala de aula e de seu ambiente de conforto”. As oficinas são ministradas pela professora Isabella Gurgel e abertas para pessoas com deficiências variadas.

As saídas fotográficas acontecem na cidade ou em parques. No caso específico de participantes com deficiência visual, a professora conta que perguntou às pessoas cegas e de baixa visão como ela poderia ensinar fotografia para elas. “Uma das participantes então me disse: Eu quero fotografar o pôr-do-sol, então eu vou pedir para alguém me levar para fora de minha casa por volta de 17h, para um lugar mais aberto, e vou esperar sentir a minha pele começar a esfriar, que é o que acontece quando o sol começa a se pôr.” Gurgel relata que a partir daí ela entendeu que a metodologia tinha que ter o fundamento no tato, na audição e na descrição.

Nas saídas, ela descreve o máximo possível o ambiente em que estão e os alunos dizem se querem ou não fotografar aquilo. “O sensorial é mais importante do que a teoria. É lógico que a gente ensina como ligar a câmera, como trocar a bateria, o que é o cartão de memória. A gente ensina o básico, mas o que mais trabalhamos é a composição fotográfica.”

A servidora pública Mayrla Rodrigues tem deficiência visual e participou das oficinas. Ela conta que sempre amou arte e, quando começou a perder a visão, com 18 anos, achou que não seria mais possível apreciar fotografia, decoração. Mas conheceu pela internet um rapaz cego que era fotógrafo e então entendeu que sim, era possível. Sobre a saída fotográfica com o projeto Vivências Inclusivas relata ter sido uma “experiência maravilhosa”. “A gente saiu pra rua para fotografar e sempre tinha alguém do meu lado, audiodescrevendo os espaços, as imagens. É possível [uma pessoa com deficiência visual fotografar] contanto que haja esses recursos acessórios, como audiodescrição e condução nos espaços.”

SERVIÇO:
Associação Sociedade Cultura e Arte (Soca Brasil) – https://www.socabrasil.org e https://www.instagram.com/socabrasil/
Ainda não há previsão de nova turma do projeto Escola de Fotógrafos Cegos para o ano que vem, mas no perfil da Soca Brasil é possível encontrar inscrições abertas para outras atividades, como teatro, cinema, vídeo e música.

Escola de Fotógrafos Cegos – https://www.escoladefotografoscegos.org/
O site do projeto conta com mostras virtuais acessíveis das fotografias produzidas na oficina.

Exposição “Um outro olhar”
Dia 31/07, de 16h às 19h, no ponto de cultura Soca Brasil
Rua Vinte e Quatro, 255, Santa Mônica Popular, em Vila Velha/ES
Evento acessível

Vivências Inclusivas – https://vivenciasinclusivas.com.br/ e https://www.instagram.com/vivenciasinclusivas/

Exposição “Nada Sobre Nós, Sem Nós”
De 5/8/25 a 7/9/25, no Museu da República, em Brasília/DF.

Gostou de conhecer estes cursos para ensinar fotografia a pessoas com deficiência visual? Conte nos comentários o que achou mais interessante nestas experiências.

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Capacitismo: o inconsciente que derrota a inclusão https://inspiracaostage.sages4it.com/capacitismo-o-inconsciente-que-derrota-a-inclusao/ https://inspiracaostage.sages4it.com/capacitismo-o-inconsciente-que-derrota-a-inclusao/#respond Fri, 13 Jun 2025 14:03:27 +0000 https://inspiracaoparalimpica.org.br/?p=7777 Antes do jogo começar Aqui, no Blog Inspiração Paralímpica, trazemos semanalmente histórias de pessoas com deficiência que fazem acontecer. Porém, existem fatores que fogem dos resultados práticos e que continuam gerando derrotas dentro do esporte e na sociedade. Vamos começar com definições práticas destes elementos, segundo o Dicionário Oxford. – Capacitismo: discriminação ou preconceito contra […]

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Mulher sorridente em cadeira de rodas motorizada, usando óculos escuros, blusa florida azul e calça jeans. Ela está em um parque arborizado, ao lado de um lago com muitas folhas de vitória-régia na superfície. O caminho é de cimento, rodeado por grama verde e árvores altas, incluindo palmeiras. O clima parece agradável, com céu parcialmente nublado e luz do sol suave. Ao fundo, há mais vegetação e um ambiente tranquilo e natural.
Esther Duarte, psicóloga do CPB\ Foto: arquivo pessoal

Antes do jogo começar

Aqui, no Blog Inspiração Paralímpica, trazemos semanalmente histórias de pessoas com deficiência que fazem acontecer. Porém, existem fatores que fogem dos resultados práticos e que continuam gerando derrotas dentro do esporte e na sociedade. Vamos começar com definições práticas destes elementos, segundo o Dicionário Oxford.
– Capacitismo: discriminação ou preconceito contra pessoas com deficiência;
– Discriminação: faculdade de discriminar, distinguir; discernimento. Ação ou efeito de separar, segregar, pôr à parte;
Preconceito: qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico. Sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.
Lendo as definições, ficou claro que o boicote à inclusão acontece dentro da cabeça das pessoas e, por óbvio, ninguém se admite preconceituoso de forma consciente. O capacitismo acontece, principalmente nas entrelinhas e nos pequenos gestos. Por isso, decidimos conversar com especialistas sobre o que acontece no inconsciente para perpetuar práticas de discriminação na sociedade em plena era da informação.
Para Esther Duarte, psicóloga do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e cadeirante, o preconceito está ligado à falta de conhecimento. “A criação da pessoa, a falta de contato com o diferente, o ambiente e contexto da sua formação, e a reprodução de alguns comportamentos de pessoas ao redor, sem nem ao menos entender o motivo de estar reproduzindo determinadas atitudes, podem explicar o preconceito”, analisa.
Especialista em psicologia do esporte, o professor de educação física e psicólogo do CPB André Luis Aroni explica que o acesso à informação não está diretamente ligado à mudança de paradigma sobre a inclusão de pessoas com deficiência. “Leva um tempo para as pessoas se acostumarem com algo diferente daquilo com o que estavam acostumadas. Nem sempre o fato de disponibilizar uma informação faz com que um comportamento ou opinião mudem. Existe um sistema complexo de valores e questões éticas e morais. Sempre vejo que o grande problema da nossa sociedade é a questão da educação”, detalha.
É praticamente impossível cravar se comportamentos capacitistas são gerados pelo medo do diferente ou são parte de uma decisão de ser cruel, justificada pela necessidade de defender uma opinião já estabelecida. Mesmo com boa intenção, há quem discrimine querendo elogiar. “Mesmo que você não chegue ao pódio, já é um herói por tentar”, “é um milagre você estar competindo”, “nunca imaginei que alguém com deficiência pudesse morar sozinho” são frases problemáticas. “Isso pode ser interpretado como uma agressão, mesmo sem ser agressivo”, aponta Aroni.

Virando o jogo

O que se pode fazer de imediato para transformar o nosso inconsciente e, posteriormente, nossos comportamentos é observar atentamente e entender como funciona o universo das pessoas com deficiência, seja ela qual for. Por exemplo: aqui no Inspiração, já publicamos uma lista de expressões capacitistas que devem ser evitadas; ou seja, até na forma de se referir a situações do cotidiano é possível adicionar uma camada de empatia e se comunicar contribuindo com a inclusão de pessoas com deficiência.
“Quando há qualquer mau comportamento ou comportamento de capacitismo, a melhor forma de remediar é pedindo desculpas, assumir que conhece pouco o assunto. A boa educação e o respeito são bons argumentos. Ninguém é perfeito, todos erramos, mas é importante reconhecer o erro”, recomenda o especialista em psicologia do esporte.
E você? Já parou para pensar como o seu inconsciente sabota suas tentativas de mudança de comportamento mesmo quando suas atitudes não combinam com seus objetivos? Na semana que vem, o Blog Inspiração Paralímpica volta com mais informação e reflexão. Até mais!

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Mais que amigos: entenda o papel dos cães-guia na rotina de pessoas com deficiência visual https://inspiracaostage.sages4it.com/mais-que-amigos-entenda-o-papel-dos-caes-guia-na-rotina-de-pessoas-com-deficiencia-visual/ https://inspiracaostage.sages4it.com/mais-que-amigos-entenda-o-papel-dos-caes-guia-na-rotina-de-pessoas-com-deficiencia-visual/#respond Fri, 30 May 2025 11:00:19 +0000 https://inspiracaoparalimpica.org.br/?p=7697 Os cães são uma das companhias mais requisitadas pelo ser humano, e já sabemos disso. Mas você sabia que, além de serem melhores amigos, eles também podem ser muito eficientes como assistentes? Venha descobrir mais sobre a importância dos cães-guia na rotina de pessoas com deficiência visual. O cão-guia é um animal treinado especificamente para […]

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Mulher sorridente sentada no chão ao lado de um cão-guia preto. Ela tem pele clara, cabelos lisos e loiros, está usando uma camiseta amarela com a frase “UNIDO E GUIADO POR UM PROPÓSITO” e uma saia longa bege. O cachorro, de porte grande e pelagem preta, está usando uma bandana amarela com desenhos e tem um pingente na coleira. Ambos estão encostados em uma parede branca, e o cão está sentado sobre um tapete azul. A mulher abraça carinhosamente o cachorro, e ambos transmitem uma sensação de companheirismo e alegria. Ao fundo, há um quadro branco na parede.
Jucilene sorri ao lado de seu cão-guia , Zuca, sua parceira desde 2020 | Foto: Arquivo Pessoal

Os cães são uma das companhias mais requisitadas pelo ser humano, e já sabemos disso. Mas você sabia que, além de serem melhores amigos, eles também podem ser muito eficientes como assistentes? Venha descobrir mais sobre a importância dos cães-guia na rotina de pessoas com deficiência visual.

O cão-guia é um animal treinado especificamente para auxiliar em tarefas que exijam maior cuidado. Para isso, ele passa por um processo de adestramento em três fases, que pode durar até dois anos. Na primeira fase, que dura cerca de 16 meses, os cães iniciam sua vivência com famílias voluntárias, que se dedicam à socialização e ao ensino de comandos básicos. Na segunda fase, iniciam-se os treinamentos específicos para prestar serviços às pessoas com deficiência, com duração em média de seis meses. A terceira e última fase é o momento em que o cão começa a ser treinado junto ao seu tutor, adaptando-se à nova rotina de ambos.
Após todas essas fases concluídas existem inúmeras atividades que os cães-guia são aptos para realizar no dia a dia, como, por exemplo, desviar de obstáculos e seguir direções ordenadas.
Além disso os cães também são treinados para desobedecer ordens que possam colocar seus tutores em perigo. Um exemplo disso é quando o cão não permite que seu tutor avance após a guia em ambientes como avenidas e ruas movimentadas, evitando assim acidentes.
Essas atividades são de extrema importância, pois proporcionam autonomia e liberdade aos tutores. Muitas tarefas, que normalmente necessitam do apoio de outra pessoa, podem ser realizadas com a ajuda do cão-guia, trazendo maior tranquilidade e confiança para que pessoas com deficiência visual vivam com mais qualidade e menos sensação de dependência.
Vale lembrar que, segundo a Lei nº 11.126, Art. 1º, “É assegurado à pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia o direito de ingressar e de permanecer com o animal em todos os meios de transporte e em estabelecimentos abertos ao público, de uso público e privados de uso coletivo, desde que observadas as condições impostas por esta Lei.” Portanto, os tutores têm o direito de ingressar em qualquer lugar necessário com seu cão-guia.
Após tanto trabalho, os cães-guia também têm direito à aposentadoria, pois, assim como nós, os animais perdem algumas aptidões com o tempo. Por isso, com mais ou menos entre 10 e 11 anos de idade, é necessário que o cão se afaste das atividades de assistência.
Para saber melhor como é o dia a dia de uma pessoa com seu cão-guia, fizemos uma entrevista com a Jucilene Braga Rodrigues, que tem sua cão-guia Zuca desde 2020 e nos contou mais sobre a sua rotina.
Antes de Zuca a tutora era acompanhada por Charlie, um golden retriever vindo de uma escola americana, a Leader Dog, porém como Jucilene estava em território brasileiro, optou pelo Instituto Adimax, tanto pela credibilidade da instituição quanto pela confiança nos profissionais, ela relata que já conhecia dois dos instrutores do instituto e confiava muito no trabalho deles, realizou a inscrição pelo site e foi chamada para iniciar todo o processo.
O início da relação entre elas foi marcado por um momento sensível com a pandemia da Covid-19. Os treinamentos foram iniciados em 26 de outubro de 2020 nas instalações do Instituto Adimax. Normalmente para incentivar a formação do vínculo e da rotina com o cão-guia, esta adaptação é realizada presencial, porém foi necessário o formato remoto. O treinamento consistia em vídeo chamadas e caminhadas curtas, sem uso de transporte público.
Apesar dos desafios as duas conseguiram finalizar o processo inicial, “A Zuca é maravilhosa, muito inteligente e cuidadosa. Ela respondeu super bem aos comandos, mesmo com todos os desafios.”, afirma a tutora.
Hoje em dia a parceria já faz parte da rotina, Jucilene atua no setor de visitas da empresa Adimax (que criou o Instituto que treinou Zuca) e consegue transitar por diferentes ambientes com liberdade e sem maiores preocupações, tendo autonomia e segurança para diversas situações como usar o transporte público e circular no prédio onde trabalha diariamente.
Um ponto importante para a tutora é que tanto o cão-guia quanto a bengala são ferramentas ótimas. Ela afirma que nenhuma é melhor que a outra, cada pessoa se adapta de uma forma única e pode ter velocidade e segurança com ambas as opções.
Jucilene ainda separou algumas curiosidades sobre Zuca e destaca: “Ela é extremamente disciplinada. Se eu disser para não entrar em um cômodo, ela não entra. Claro que é um ser vivo, com vontades, mas ela responde muito bem. Às vezes, quem vê de fora julga sem entender o comportamento de um cão-guia, mas é preciso lembrar que eles também têm emoções e aprendizados contínuos.”
Ficou curioso para saber como ter esse ajudante em casa? Existem alguns requisitos para solicitar um cão-guia: é necessário comprovar a deficiência, passar por uma série de testes para avaliar a saúde física e psicológica, além de ser obrigatório que o futuro tutor seja maior de idade e tenha orientação e mobilidade.
Os cães de assistência não são comprados, mas doados. No Brasil, há várias instituições confiáveis que auxiliam nesse processo, como o Instituto Adimax onde a Ju encontrou a Zuca, e o IRIS (Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social).
E aí, já sabia que o melhor amigo do homem pode fazer tudo isso? Não deixe de acompanhar a página do Inspiração Paralímpica para mais conteúdos como este! E lembre-se: se você encontrar um cãozinho com coleira e peitoral ao lado esquerdo de seu tutor, ele provavelmente é um cão-guia. Portanto, não tente fazer carinho ou chamar sua atenção, pois ele está em serviço!

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