Mais que amigos: entenda o papel dos cães-guia na rotina de pessoas com deficiência visual

Mulher sorridente sentada no chão ao lado de um cão-guia preto. Ela tem pele clara, cabelos lisos e loiros, está usando uma camiseta amarela com a frase “UNIDO E GUIADO POR UM PROPÓSITO” e uma saia longa bege. O cachorro, de porte grande e pelagem preta, está usando uma bandana amarela com desenhos e tem um pingente na coleira. Ambos estão encostados em uma parede branca, e o cão está sentado sobre um tapete azul. A mulher abraça carinhosamente o cachorro, e ambos transmitem uma sensação de companheirismo e alegria. Ao fundo, há um quadro branco na parede.
Jucilene sorri ao lado de seu cão-guia , Zuca, sua parceira desde 2020 | Foto: Arquivo Pessoal

Os cães são uma das companhias mais requisitadas pelo ser humano, e já sabemos disso. Mas você sabia que, além de serem melhores amigos, eles também podem ser muito eficientes como assistentes? Venha descobrir mais sobre a importância dos cães-guia na rotina de pessoas com deficiência visual.

O cão-guia é um animal treinado especificamente para auxiliar em tarefas que exijam maior cuidado. Para isso, ele passa por um processo de adestramento em três fases, que pode durar até dois anos. Na primeira fase, que dura cerca de 16 meses, os cães iniciam sua vivência com famílias voluntárias, que se dedicam à socialização e ao ensino de comandos básicos. Na segunda fase, iniciam-se os treinamentos específicos para prestar serviços às pessoas com deficiência, com duração em média de seis meses. A terceira e última fase é o momento em que o cão começa a ser treinado junto ao seu tutor, adaptando-se à nova rotina de ambos.
Após todas essas fases concluídas existem inúmeras atividades que os cães-guia são aptos para realizar no dia a dia, como, por exemplo, desviar de obstáculos e seguir direções ordenadas.
Além disso os cães também são treinados para desobedecer ordens que possam colocar seus tutores em perigo. Um exemplo disso é quando o cão não permite que seu tutor avance após a guia em ambientes como avenidas e ruas movimentadas, evitando assim acidentes.
Essas atividades são de extrema importância, pois proporcionam autonomia e liberdade aos tutores. Muitas tarefas, que normalmente necessitam do apoio de outra pessoa, podem ser realizadas com a ajuda do cão-guia, trazendo maior tranquilidade e confiança para que pessoas com deficiência visual vivam com mais qualidade e menos sensação de dependência.
Vale lembrar que, segundo a Lei nº 11.126, Art. 1º, “É assegurado à pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia o direito de ingressar e de permanecer com o animal em todos os meios de transporte e em estabelecimentos abertos ao público, de uso público e privados de uso coletivo, desde que observadas as condições impostas por esta Lei.” Portanto, os tutores têm o direito de ingressar em qualquer lugar necessário com seu cão-guia.
Após tanto trabalho, os cães-guia também têm direito à aposentadoria, pois, assim como nós, os animais perdem algumas aptidões com o tempo. Por isso, com mais ou menos entre 10 e 11 anos de idade, é necessário que o cão se afaste das atividades de assistência.
Para saber melhor como é o dia a dia de uma pessoa com seu cão-guia, fizemos uma entrevista com a Jucilene Braga Rodrigues, que tem sua cão-guia Zuca desde 2020 e nos contou mais sobre a sua rotina.
Antes de Zuca a tutora era acompanhada por Charlie, um golden retriever vindo de uma escola americana, a Leader Dog, porém como Jucilene estava em território brasileiro, optou pelo Instituto Adimax, tanto pela credibilidade da instituição quanto pela confiança nos profissionais, ela relata que já conhecia dois dos instrutores do instituto e confiava muito no trabalho deles, realizou a inscrição pelo site e foi chamada para iniciar todo o processo.
O início da relação entre elas foi marcado por um momento sensível com a pandemia da Covid-19. Os treinamentos foram iniciados em 26 de outubro de 2020 nas instalações do Instituto Adimax. Normalmente para incentivar a formação do vínculo e da rotina com o cão-guia, esta adaptação é realizada presencial, porém foi necessário o formato remoto. O treinamento consistia em vídeo chamadas e caminhadas curtas, sem uso de transporte público.
Apesar dos desafios as duas conseguiram finalizar o processo inicial, “A Zuca é maravilhosa, muito inteligente e cuidadosa. Ela respondeu super bem aos comandos, mesmo com todos os desafios.”, afirma a tutora.
Hoje em dia a parceria já faz parte da rotina, Jucilene atua no setor de visitas da empresa Adimax (que criou o Instituto que treinou Zuca) e consegue transitar por diferentes ambientes com liberdade e sem maiores preocupações, tendo autonomia e segurança para diversas situações como usar o transporte público e circular no prédio onde trabalha diariamente.
Um ponto importante para a tutora é que tanto o cão-guia quanto a bengala são ferramentas ótimas. Ela afirma que nenhuma é melhor que a outra, cada pessoa se adapta de uma forma única e pode ter velocidade e segurança com ambas as opções.
Jucilene ainda separou algumas curiosidades sobre Zuca e destaca: “Ela é extremamente disciplinada. Se eu disser para não entrar em um cômodo, ela não entra. Claro que é um ser vivo, com vontades, mas ela responde muito bem. Às vezes, quem vê de fora julga sem entender o comportamento de um cão-guia, mas é preciso lembrar que eles também têm emoções e aprendizados contínuos.”
Ficou curioso para saber como ter esse ajudante em casa? Existem alguns requisitos para solicitar um cão-guia: é necessário comprovar a deficiência, passar por uma série de testes para avaliar a saúde física e psicológica, além de ser obrigatório que o futuro tutor seja maior de idade e tenha orientação e mobilidade.
Os cães de assistência não são comprados, mas doados. No Brasil, há várias instituições confiáveis que auxiliam nesse processo, como o Instituto Adimax onde a Ju encontrou a Zuca, e o IRIS (Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social).
E aí, já sabia que o melhor amigo do homem pode fazer tudo isso? Não deixe de acompanhar a página do Inspiração Paralímpica para mais conteúdos como este! E lembre-se: se você encontrar um cãozinho com coleira e peitoral ao lado esquerdo de seu tutor, ele provavelmente é um cão-guia. Portanto, não tente fazer carinho ou chamar sua atenção, pois ele está em serviço!