Filho com deficiência: como educar para o autoamor

Filho com deficiência: como educar para o autoamor

Cerca de 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Deste total, 7,5% (ou aproximadamente 3,5 milhões) são crianças de até 14 anos de idade. Apesar dos milhões de crianças com deficiência no país, ao receberem a notícia de que um integrante de seu núcleo será uma pessoa com deficiência (antes do nascimento ou em outra etapa da vida), surgem diversos medos e dúvidas no ambiente familiar.

Em um momento de adaptações, os responsáveis buscam incentivos para o desenvolvimento pleno das capacidades da criança, respeitando suas condições físicas e intelectuais e seu tempo de progresso. Uma forma de atingir os melhores resultados é educar para o autoamor.

Para elas, uma das formas mais contundentes de estimular o autoamor é por meio de brincadeiras. Os momentos em que a criança é colocada em atividades que estimulem o movimento e fortaleçam o psicomotor, são fortes aliados para que ela perceba que faz parte do mundo que a cerca e que pode explorá-lo.

Estimulando por meio de brincadeiras

Antes da escolha da diversão, porém, o responsável precisa ficar atento às especificações dos brinquedos, como a idade recomendada, materiais, componentes e interesse de acordo com a faixa etária. Durante as brincadeiras, a criança deve receber estímulos para resolver pequenas tarefas, que sejam ao mesmo tempo desafiadoras e seguras. O resultado deste tipo de abordagem é o estímulo da autoconfiança.

Neste processo de crescimento, desenvolvimento e reconhecimento de si próprio no mundo, a família é a base de apoio da criança com deficiência. A autonomia e a independência precisam ser trabalhadas respeitando suas limitações, com acompanhamento de seus pais e levando em consideração as adaptações necessárias para possibilitar o máximo de oportunidades à criança. Estas adaptações podem ser tanto do espaço físico, quanto a adequações em situações específicas, como durante a participação de jogos ou brincadeiras.

Além de ser um estímulo à autonomia e independência da criança, esses cuidados também fazem parte da criação de um espaço acessível para ela. Com atenção às necessidades, criatividade e tempo, os pais conseguem prover um ambiente seguro e fértil para o desenvolvimento da criança.

Quando desafiada, de acordo com suas capacidades, ela pode fazer progressos que serão assistidos pelos responsáveis. As pequenas e grandes conquistas devem ser valorizadas e esta é uma forma de desenvolver uma percepção positiva a respeito de si mesma desde cedo.

Estes incentivos parentais refletem na autoestima da criança, que logo começa a entender a deficiência como um fato, uma condição que não a impede de ter prazeres e superar desafios comuns do dia a dia.

Perguntas complexas, curiosidade e medo fazem parte de sua descoberta sobre sua deficiência e também a respeito do mundo que a cerca. Estes sentimentos são inerentes à condição humana, bem como o senso de pertencimento.

Sentir-se parte

O senso de pertencimento vem com o enxergar o outro em si mesmo e identificar padrões, emoções e comportamentos. Para crianças com deficiência, ter contato com outras crianças com realidades similares às suas pode fortalecer esse senso de pertencimento e distanciar sentimentos relacionados ao isolamento, do sentir-se diferente e até da introversão. Tais encontros devem ser procurados por pais e uma sugestão é buscar programas para crianças com deficiência que tragam boas experiências, como é o caso do projeto Escola Paralímpica do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), projeto que tem como objetivo promover a iniciação de crianças com deficiência física, visual e intelectual na faixa etária de 10 a 17 anos em dez modalidades paralímpicas.

Educar para o autoamor é uma missão diária de pais de crianças com deficiência. A infância é um período de descobertas e experiências que geram marcas para a vida e os pais têm a tarefa indelegável de começar o processo de inclusão e aceitação dentro da própria casa. Felizmente, existem diversas formas de fazer esse processo de desenvolvimento do autoamor e um dos caminhos é por meio do esporte.

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