Como os quadrinhos podem contribuir para a inclusão em sala de aula

Como os quadrinhos podem contribuir para trabalhar a inclusão em sala de aula

A vida cotidiana, as pessoas que compõem a sociedade, aflições e anseios são fontes inesgotáveis de inspiração para o universo da ficção. Nos quadrinhos, os personagens guardam semelhanças com o mundo real e a evolução das histórias acompanha movimentos sentidos na sociedade.

Em outras palavras, à medida que a sociedade evolui, novos personagens surgem ampliando a diversidade dentro das histórias em quadrinho. Grupos como o de pessoas com deficiência, por exemplo, são pouco representados nas artes e incluí-los em produtos culturais ajuda a transformar estigmas sociais e dar visibilidade às causas sociais.

Dentro da sala de aula, as histórias podem ser usadas para promover o aprendizado de forma lúdica, incitar assuntos de forma leve e aproximar as crianças de realidades distintas que devem ser respeitadas e pensadas no âmbito escolar. Nas narrativas dos gibis como os da Turma da Mônica, os personagens principais recebem amigos com deficiência e demonstram empatia, inclusão nas brincadeiras em uma convivência saudável e repleta de descobertas, característica inerente ao mundo infantil.

Com o uso das histórias em quadrinhos em sala de aula, professores têm também a oportunidade de desenvolver o diálogo sobre os diversos tipos de deficiência e tirar dúvidas a respeito do tema. Além disso, as histórias em quadrinhos ilustram situações do cotidiano, como a questão da acessibilidade e da adaptação das brincadeiras para inclusão das crianças com deficiência. Dar às crianças o acesso a essas histórias ajuda a criar repertório de respostas e formas de agir quando chegarem a situações similares, como com um colega com deficiência.

Os personagens mais ilustres das histórias em quadrinhos do Brasil são os da “Turma da Mônica”, do autor Maurício de Sousa, cujos gibis são lançados desde a década de 70.

As cinco décadas de HQs fizeram parte do desenvolvimento de uma legião de crianças e jovens leitores, e novos personagens foram introduzidos às publicações para contracenar com núcleo central. No caso da deficiência, novos personagens surgiram para mostrar que as crianças PcD’s têm a mesma capacidade de aprender, brincar e conviver com as outras crianças.

No universo da Turma da Mônica, o cartunista Maurício de Sousa incluiu no ano 2000 dois personagens com deficiência baseados em pessoas do seu próprio convívio. Dorinha, uma menina com deficiência visual, e Luca, um menino cadeirante que demonstra gostar de esportes, em especial o basquete e que por isso ganha o apelido de “Da Roda”. Suas histórias podem ser usadas para promover o aprendizado de forma lúdica e aproximar as crianças de realidades distintas.

Dorinha, da Turma da Mônica
Luca, da Turma da Mônica

Para ajudar os professores a trazer as modalidades adaptadas para mais perto das crianças, o Comitê Paralímpico Brasileiro preparou o eBook “5 atividades para fortalecer o Movimento Paralímpico em sala de aula“. Nele é possível encontrar atividades e também contextualização sobre as brincadeiras, além de perguntas que podem nortear diálogos sobre o tema.

Apesar dos personagens com deficiência não aparecerem nas histórias em quadrinho constantemente, selecionar tirinhas em que esses personagens são pautados, estimula as crianças a agirem e desenvolverem sentimentos e atitudes como:

  • Conscientização;
  • Sensibilização;
  • Pertencimento;
  • Respeito;
  • Acolhimento;
  • Quebra de estigmas;
  • Combate ao preconceito.

Nesse sentido, o uso dos quadrinhos cumpre seu papel de representar a sociedade e demonstrar que a criança com deficiência é capaz e bem-vinda a brincar com crianças sem deficiência. O professor, por sua vez, ao empregar o formato dos quadrinhos de forma didática e pedagógica, permite a identificação das diferenças pelas crianças com mais naturalidade, como parte do mundo em que elas vivem, além de fortalecer o movimento PcD.