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15 de Setembro de 2023

Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, o Brasil possui 10,5 milhões de mulheres com algum tipo de deficiência física ou intelectual. Mesmo sendo uma parcela significativa da população, a invisibilidade da mulher com deficiência é perceptível quando o assunto é saúde e sexualidade. Mulheres com deficiência podem enfrentar atitudes negativas, preconceitos, falta de aceitação de seus corpos, dificuldades em encontrar parceiros ou parceiras sexuais ou de estabelecer relacionamentos íntimos.
Patrícia Côrtes, social media e PcD, fala abertamente sobre essa temática em suas redes. Em 12 de junho, data em que se comemora o Dia dos Namorados, Patrícia postou um vídeo em suas redes em que levantou questionamentos sobre exclusão e o pensamento de que pessoas com deficiência não se relacionam.
“Muitas vezes, tratamos pessoas com deficiência como se elas não fossem completas. Então, as pessoas imaginam que elas não se relacionam, que elas não têm relação sexual e que não são atraentes para outras pessoas. É preciso começar a mudar esse pensamento, mesmo que seja automático. Relacionamentos também acontecem para pessoas com deficiência. Pessoas com deficiência, acima de tudo, são pessoas”, afirma Patrícia.
É fundamental que as mulheres com deficiência tenham acesso a informações adequadas sobre sexualidade e intimidade, bem como a serviços de saúde inclusivos. Isso pode incluir educação sobre o corpo, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, contracepção, direitos reprodutivos, consentimento, relacionamentos saudáveis e práticas sexuais seguras.
Para esclarecer dúvidas e debater sobre esse tema, falamos com a médica ginecologista e obstetra, Dra. Walda Carvalho, que atende mulheres com e sem deficiência.
Ao longo dos seus anos de atendimento às mulheres PcDs, a Dra. Walda observou que algumas pacientes enfrentam desafios adicionais em relação à sua sexualidade. “A forma como essas experiências são vivenciadas tem uma diferença. Existe a falta de informação, os tabus, além da interferência da própria sociedade. Muitas vezes, a família não considera que a mulher com alguma deficiência, seja física ou sensorial, pode ter sentimentos e sensações que são comuns para todos os seres humanos. A quebra dessa barreira de que a mulher com deficiência não pode ter experiências é super importante, e isso depende muito de informação”, afirma a ginecologista.
A Dra. Walda acredita que a falta de informação e instrução seja um grande obstáculo para as suas pacientes. “Pelo que eu observo, conversando e atendendo mulheres com deficiência, a principal barreira é, sem dúvida, a falta de acesso à informação. Além do fato dessas mulheres conseguirem tirar o bloqueio e a infantilização de que a mulher com deficiência precisa ser muito cuidada e que ela não pode desenvolver esse outro aspecto da vida dela que é a sexualidade.”
O conhecimento sobre o próprio corpo funciona como uma ferramenta para cuidar de si e também aumentar a autoestima. É importante entender sobre a anatomia do aparelho reprodutor, as oscilações hormonais e se aprofundar neste assunto, ainda cercado de mitos e tabus. Isso permite prevenir doenças, evitar gestações prematuras, planejar melhor cada fase da vida e desmistificar a sexualidade.
A sexualidade para mulheres PcDs é uma parte natural e importante de suas vidas, assim como para todas as mulheres. No entanto, é importante reconhecer que as experiências individuais podem variar, dependendo do tipo e do grau de deficiência, bem como de outros fatores como a saúde geral, a autoimagem e o contexto social.
Cada mulher tem sua própria jornada e experiência sexual. É essencial respeitar sua individualidade, garantir sua autonomia e promover a inclusão em todas as esferas da sexualidade.
Com base na convivência com mulheres PcDs, principalmente surdas e não oralizadas, a Dra. Walda Carvalho criou o projeto “Elas em sinais”. O objetivo é sanar as dúvidas e disseminar conhecimento sobre o assunto. Você pode acompanhar o projeto “Elas em sinais” nas redes sociais: @elasemsinais.