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5 de Dezembro de 2024

Nos cinemas, nas redes sociais e em qualquer conversa sobre cinema. O filme Ainda Estou Aqui, a atuação de Fernanda Torres e a potencial indicação ao Oscar estão empolgando diversos setores da sociedade brasileira. O que nem todos sabem e o Blog Inspiração Paralímpica te conta agora é que o filme é uma adaptação de um livro escrito por um cadeirante.
A obra original também se chama Ainda Estou aqui e foi publicada pela Editora Alfaguara em 2015. O livro conta a história da família do autor, Marcelo Rubens Paiva. Até janeiro de 1971, eles eram uma típica família carioca da época. Uma casa alegre, cheia de amigos, onde seus pais criavam os cinco filhos. O pai de Marcelo era Rubens Paiva, engenheiro que teve carreira política e seu mandato de deputado federal cassado depois do golpe militar de 1964. No dia 20 daquele mês, militares foram até a casa da família buscar Rubens para um interrogatório. Ele nunca mais voltou. A mãe do autor, Eunice, e uma de suas irmãs também chegaram a ser presas, mas foram liberadas dias depois.
A vida da matriarca e de seus filhos jamais seria a mesma. O livro narra a trajetória da família após o desaparecimento de Rubens, a luta de Eunice pelo reconhecimento da morte do marido e sua busca por justiça. Ela, que até então se ocupava principalmente com a criação dos filhos, se tornou uma ativista, cursou direito e abraçou as causas dos direitos humanos e dos indígenas. O atestado de óbito de Rubens Paiva só foi emitido em 1996.
Marcelo, autor da obra, foi cursar engenharia agrícola na Universidade Estadual de Campinas. Em 1979, junto com seus colegas, pulou de uma pedra para um lago e fraturou a quinta vértebra cervical. Ele tinha 20 anos quando se tornou tetraplégico. Com trabalho de fisioterapia, conseguiu recuperar o movimento dos braços anos depois.
Assim como sua mãe, Marcelo se reinventou após um momento desafiador. Estudou teoria literária em rádio e TV, e atingiu o sucesso como autor de livros, apresentador de televisão e roteirista. A experiência de se tornar tetraplégico foi narrada em sua primeira obra literária. Feliz Ano Velho foi lançado em 1982, ganhou o Prêmio Jabuti, teve mais de 200 edições e é sucesso até hoje. Na data da redação deste post, o livro estava esgotado no site da editora Companhia das Letras. Depois de Feliz Ano Velho, Marcelo lançou mais 15 livros, escreveu 11 peças de teatro e fez o roteiro de seis filmes.
Como sempre destacamos aqui no Blog Inspiração Paralímpica, a deficiência não é um ponto final e sim um ponto de partida para que os indivíduos se desenvolvam pessoal e profissionalmente com muito sucesso. Embora seja cedo para falar em Oscar, Ainda Estou Aqui já é o filme com maior público de seu diretor, Walter Salles. A fita já foi vista por mais de 1,7 milhões de espectadores, superando outras obras do diretor, como Central do Brasil, Abril despedaçado e Diários de Motocicleta.
E você? Sabia que o badalado Ainda Estou Aqui é uma obra original de uma pessoa com deficiência? Já leu o nosso post que reúne obras literárias sobre pessoas com deficiência? Se você quer sugerir outros livros para a gente, deixe os nomes nos comentários. A gente se vê de novo na semana que vem. Até lá!