Torcidas de futebol e estádios abrem espaço para pessoas com autismo

A imagem mostra um grupo de pessoas em um estádio de futebol, atrás de uma grande faixa. A faixa é branca e tem o logotipo do Corinthians à esquerda, que é um círculo com uma âncora e remos cruzados, e as palavras "Corinthians Paulista" ao redor. No centro da faixa, está escrito "AUTISTAS ALVINEGROS" em letras grandes e pretas. À direita, há um símbolo de quebra-cabeça colorido, que é frequentemente associado à conscientização sobre o autismo, e um logotipo menor com as palavras "Autistas Alvinegros". As pessoas ao redor da faixa estão assistindo a um jogo, e o estádio está parcialmente cheio.
Torcedores do Corinthians com faixas dos Autistas Alvinegros na Neo Química Arena | Foto: Divulgação

A paixão pelo futebol mobiliza multidões em torno dos estádios para torcer por seus times do coração. Mas essa experiência nem sempre é acessível a todos. Pensando nisso, algumas arenas passaram a adotar salas sensoriais, espaços especialmente projetados para pessoas com autismo, permitindo que elas possam aproveitar os jogos de maneira mais confortável e segura.
As salas sensoriais são ambientes controlados e adaptados para minimizar estímulos que possam causar desconforto ou crises em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Equipadas com itens como luzes ajustáveis, isolamento acústico, brinquedos sensoriais, fones de ouvido e áreas de descanso, esses espaços oferecem um refúgio tranquilo em meio à agitação dos jogos.
A Neo Química Arena, do Corinthians, foi pioneira ao instalar uma sala para pessoas com autismo, em 2019. A sala é equipada com brinquedos interativos, tapetes sensoriais, TV com programação infantil, desenhos, material para colorir e blocos de montar. O vidro antirruído abafa o som das arquibancadas.

“A sala dispõe de um espaço relativamente grande com alguns brinquedos, materiais didáticos, mesas e sofás pra um melhor conforto das famílias”, afirma Rafael Lopes, do coletivo Autistas Alvinegros, e frequentador do espaço. “Temos a facilidade de escolher entre ver os jogos da sala e também das cadeiras na parte externa, pra quem tem mais autonomia. A sala necessita de algumas melhorias para poder ser um espaço sensorial de fato, e o clube está engajado em promovê-las.”

Com capacidade para 160 pessoas, a sala TEA da NeoQuímica conta com profissionais treinados para auxiliar as famílias e proporcionar uma experiência mais inclusiva.
O Allianz Parque, do Palmeiras, dispõe de uma sala sensorial, criada para atender os torcedores com TEA. O espaço, para até 24 pessoas, tem equipamentos para suporte em crise, hiperestímulo ou desregulação. O local também oferece itens como abafadores de som, óculos escuros, spinner, cadeiras com capas texturizadas, balanço e cubo mágico.
O Morumbis, do São Paulo, inaugurou sua sala sensorial em 2023. A Sala TEA+ Tricolor oferece um ambiente tranquilo e acolhedor, com equipamentos projetados por duas empresas especializadas no atendimento a pessoas com autismo e seus familiares.

No entanto, os estádios do Rio de Janeiro ainda não contam com salas sensoriais específicas para pessoas com autismo, apesar de uma lei municipal de 2023 prever esse tipo de espaço. Os clubes cariocas afirmam que têm projetos para construir as salas em seus estádios.
Tramita na Câmara dos deputados o projeto de lei 107/24, do deputado Júlio Cesar Ribeiro (Republicanos – DF), que prevê a obrigação de construção dessas salas em todos os estádios do país, sob pena de advertência e multa.

Os benefícios de espaços como esses para pessoas com autismo, especialmente crianças, são inúmeros. Durante um jogo de futebol, os sons altos, as luzes brilhantes e as grandes multidões podem ser extremamente estressantes. As salas sensoriais oferecem um espaço onde as crianças podem se acalmar, evitando crises e permitindo que elas desfrutem do jogo. Além disso, permitem que as famílias participem do evento sem a constante preocupação de encontrar um local seguro para acalmar seus filhos.