Dentro do direito: pessoas com deficiência atuam como advogados

A imagem mostra a famosa escultura "A Justiça" de Alfredo Ceschiatti, localizada em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, Brasil. A escultura é feita de granito e representa uma figura feminina sentada, com os olhos vendados, simbolizando a imparcialidade da justiça. Ela segura uma espada em seu colo. Ao fundo, é possível ver o edifício do STF, que possui uma arquitetura moderna com linhas retas e colunas brancas, projetado por Oscar Niemeyer. O céu está azul e o sol ilumina a cena, criando sombras no chão de pedra.
Dentro do direito: pessoas com deficiência atuam como advogados.

Quando associamos os termos direito e pessoa com deficiência, você pensa nos direitos das pessoas com deficiência ou em pessoas com deficiência exercendo o direito, ou seja, atuando como advogadas? O Blog Inspiração Paralímpica, em celebração ao mês do advogado, saiu em busca de personagens que comprovem o que nós já sabemos: que a pessoa com deficiência pode estar onde quiser, onde seus sonhos e seu trabalho a puder levar, seja nos Jogos de Paris ou nos tribunais do Brasil.

 

O direito é uma das carreiras mais tradicionais do nosso país. Os primeiros cursos foram estabelecidos em 1827, cinco anos após a proclamação da Independência, na cidade de São Paulo e na pernambucana Olinda. Dom Pedro I também concedeu, na mesma época, o título de doutor a quem concluísse o curso de direito. Até hoje, os advogados são doutores por excelência. 

 

Em um país com tantas desigualdades e com condições de trabalho muitas vezes extenuantes, ser doutor é um caminho para ter mais segurança financeira e conforto. Foi esse o pensamento que levou José Eduardo de Araújo Luz a estudar para se tornar advogado. Cego total e nascido em uma família humilde, ele  foi prático na hora de escolher sua profissão. “Escolhi o mundo jurídico por questões pragmáticas. Por ser de origem modesta, precisava de uma carreira profissional que propiciasse uma vida mais confortável. Até mesmo para adquirir produtos acessíveis para pessoas com deficiência visual, que têm custos maiores”, explica Luz. 

 

Depois de se formar, ele investiu em concursos públicos e hoje é procurador da cidade de São Paulo, na prática trabalha como advogado da prefeitura em litígios judiciais e encontra algumas barreiras adicionais no cotidiano por ser uma pessoa com deficiência. “A dificuldade adicional são com os sites que preciso acessar, muitos deles não são acessíveis com os leitores de tela que pessoas com deficiência visual usam”, relata o advogado. 

 

Se para José Eduardo  o direito foi um caminho óbvio na juventude, para Soraya Crisley Notário a paixão chegou em outro momento na vida. Com deficiência na coordenação motora desde o nascimento, ela não perseguiu o sonho da adolescência de ser psicóloga e foi trabalhar na administração pública de sua cidade, Guarulhos. Tudo mudou quando foi designada para trabalhar no departamento jurídico e se apaixonou pelo direito. Esse sonho não iria se perder. 

 

“Tinha 30 anos quando prestei vestibular e consegui uma bolsa de estudos. Precisei prestar o exame da Ordem dos Advogados do Brasil por treze vezes. Mas nunca desisti e agora sou advogada”, conta Soraya. Hoje ela atua como mediadora e conciliadora na área cível. Seus hobbies longe dos processos são musculação e teatro. Soraya também é personagem de um livro que conta a história de advogadas extraordinárias e que deve ganhar as ruas em breve. 

 

Agora conta para a gente nos comentários: você sabia que existiam tantos caminhos no direito para pessoas com deficiência? Se inspirou a estudar direito? Vai tirar o sonho de batalhar por uma toga do papel? Conhece alguém que arrasa nos processos e que poderia ter sido nosso entrevistado?