Patrícia Moraes
16 de Maio de 2024

Quando o skate apareceu nas ruas do Brasil, no começo dos anos 1960, trazido dos Estados Unidos por jovens surfistas que queriam dropar também pelas ruas e avenidas, ninguém imaginava que se tornaria uma febre nacional. Mais que isso, era impossível pensar que um dia aquela prancha de madeira acompanhada por dois jogos de rodas seria protagonista de uma modalidade olímpica.
Se no início o skate era pesado e restrito a um grupo social muito reduzido, o passar das décadas promoveu adaptações para aprimorar as manobras e incluir todos os apaixonados pelo vento no rosto que só a modalidade permite. De acordo com a Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSK), hoje existem 20 categorias do esporte no país, praticadas por homens e mulheres de todas as idades.
E chegamos a 2024, ano dos Jogos Paralímpicos de Paris, para conhecer pessoas com deficiência que encontraram no skate adaptado o esporte do coração. É o caso de Rayan Charavara (@rayankelvin), de 22 anos, paulistano e deficiente visual com baixa visão. Desde criança esteve ligado a esportes, praticou basquete, futebol, natação e jiu-jitsu até encontrar a modalidade que, segundo ele, faz parte de quem é.
“O skateboard sempre esteve presente na minha vida. Não tenho memórias de como eu comecei, apenas sei. Considero isso um aspecto muito especial do meu contato com o esporte. Além de aprender lições sobre amizade e parceria, aprendi muito sobre foco, perseverança, consciência corporal e sobre amadurecimento de ideias. O skate já foi meu melhor amigo em diversas situações.”, conta o paulistano.
Por acaso, em um passeio na zona norte da capital paulista, Rayan descobriu que não era a única pessoa com deficiência apaixonada pelo esporte. “Andava de skate bem raramente e certo dia decidi ir ao Parque da Juventude. Fazia pouco tempo que eu havia adquirido minha primeira bengala, estava no processo de adaptação e aceitação. Tentava andar de skate com a bengala, mas tinha vergonha. Neste dia, apareceu um rapaz que não tinha as pernas e andava maravilhosamente bem. Tomei coragem, falei que ele havia me inspirado muito e ele me adicionou em um grupo de mensagens onde estavam diversos skatistas com deficiência. Naquele momento meu mundo se abriu.”
Neste novo mundo de Rayan está Marcos Vinícius Nascimento (@marcos_dus_backside), de 26 anos. Portador de artrogripose e má formação congênita nos membros inferiores, ele só consegue andar com o auxílio de uma órtese. Por isso, foi preciso desenvolver uma técnica especial para garantir seu equilíbrio em cima da prancha. “Fico o tempo todo com uma das muletas e os dois pés em cima do skate, a outra eu uso para dar impulso, o que chamamos de remada. Como não tenho o movimento das pernas, tudo que eu faço no skate é movimentando o quadril, que reflete nas pernas e me possibilita fazer manobras”, explica Marcos.
As pessoas com deficiência que queiram praticar skate podem procurar a Associação Brasileira de Paraskateboard, a ABPSK, pelo site (https://www.abpsk.com.br) ou perfil no Instagram (@abpsk_oficial). A entidade ajuda os interessados na modalidade a encontrarem projetos de desenvolvimento esportivo em suas cidades. E fica a pergunta para o futuro responder: quando o skate se tornará uma modalidade paralímpica?
