IMP CPB
22 de Março de 2022
Invenções podem nascer de diversas formas e a mais comum é a partir da necessidade de resolver um problema com uma solução prática e simples. Diversas invenções que conhecemos hoje foram concebidas exclusivamente para o mundo de pessoas com deficiência, com o objetivo de facilitar o dia a dia ou promover a inclusão e a autonomia.
Algumas dessas invenções criadas para PCDs provaram-se úteis para o público em geral e hoje são usadas amplamente por todos. Conheça a seguir quatro invenções que foram pensadas para pessoas com deficiência e que todo mundo usa.

Teclados (máquina de escrever)
Hoje em dia, usar o teclado faz parte do cotidiano de milhões de pessoas, mas, antes de 1808, comunicar-se pela escrita era mais comum por meio de cartas escritas à mão.
O inventor italiano Pellegrino Turri encontrou inspiração para uma invenção que mudaria o mundo em uma história de amor, segundo estudiosos. A máquina de escrever seria alternativa que permitiria a comunicação entre o inventor e sua amante, a condessa Carolina Fantoni da Fivizzono.
Ela, após ter ficado cega, não conseguia mais redigir cartas à mão. Com a invenção, a condessa poderia corresponder-se pelas cartas sem a intervenção de terceiros, bastava que ela decorasse a posição das letras no teclado.

Escova de dentes elétrica
Para pessoas com limitações na mobilidade, mais recentemente na história da humanidade, a atividade diária de escovar os dentes foi facilitada pela criação da escova de dentes elétrica.
Foi em 1954 que essa invenção foi anunciada pela empresa Broxodent, já voltada para ajudar pessoas com força, mobilidade e controle limitados a ter uma escovação melhor.
Mas a invenção ganhou ainda mais mercado e os dentistas começaram a recomendá-la para seus pacientes. Além de ser eficaz em seus propósitos de ajudar pessoas com deficiência na higiene bucal, a escova elétrica também destacou-se pelo desempenho.
Em 2019, um estudo divulgado pela Fundação Saúde Oral (em tradução literal de Oral Health Foundation) mostrou que as pessoas que usam a versão elétrica das escovas têm menos cáries e gengivas mais saudáveis que aquelas que usam a escova de dentes manual.

Rampas no meio-fio
As rampas no meio-fio foram projetadas para que cadeirantes pudessem se locomover com mais facilidade. A iniciativa de fazer uma rampa de acesso nasceu de um ato político, segundo a Stanford Social Innovation Review.
Em uma noite nos anos 70, Michael Pachovas e alguns amigos dirigiram-se a um meio-feio em Berkley, nos Estados Unidos, e despejaram cimento no meio-fio formando uma rampa e deslizaram noite adentro em suas cadeiras de rodas.
À época, Michael Pachovas e seus amigos defensores da comunidade PCD chegaram a ser ameaçados a ir para a prisão pela polícia. Mas o pequeno declive feito por Michael criaria consequências positivas para todos: o acesso à mobilidade para cadeirantes.
Atualmente, incorporadas a espaços onde há a preocupação com a acessibilidade, a invenção é útil para outras populações com limitações de mobilidade, como idosos, pessoas com carrinhos de bebê e também para usuários com necessidades específicas, como transporte de cargas ou malas.

Audiobooks
Desfrutar de uma boa história é sempre bem-vindo, independente do formato em que ela se encontra. Em 1932, a Fundação Americana dos Cegos (tradução literal de American Foundation of the Blind) encontrou uma forma diferente de levar histórias às pessoas com deficiência visual. Graças ao grupo, livros foram gravados em discos de vinil e com o progresso da tecnologia, o armazenamento ficou ainda melhor, permitindo que histórias com durações mais longas fossem contadas.
Agora, horas de conteúdo podem caber em um smartphone e acompanhar ouvintes em atividades do cotidiano, como dirigir, lavar louça e fazer exercícios.
Em consonância com as invenções voltadas para a comunidade PCD, outras tecnologias também têm auxiliado o dia a dia das pessoas com deficiência. É o caso dos assistentes de voz, que podem ser úteis para atividades como lembrar a hora de tomar um medicamento e automatizar tarefas de casa.
O trabalhador do varejo Scott Walker, em entrevista para o jornal inglês “The Guardian”, exemplificou a utilidade do assistente de voz Alexa, da Amazon, para uma atividade corriqueira. A paralisia cerebral de Scott limitava seus movimentos e coordenação motora e, por isso, ele optava por ir para cama usando apenas a luz emitida pela TV. Agora, com o comando de voz, o inglês pode acender e apagar as luzes do quarto com uma ordem dirigida à Alexa. “Eu não caí desde que tive essa máquina”, relatou ao jornal.
Cada uma das tecnologias mencionadas aumentam a independência e a autonomia de pessoas com deficiência e refletem em uma melhora na qualidade de vida de todos aqueles que se beneficiam com suas possibilidades. Na mesma publicação, Scott resumiu em uma frase a sensação de poder com a tecnologia para executar suas atividades: “É sentir que você está no controle de sua vida.”